"Porque a vida não é um conto de fadas e sim, um conto de fatos."

04 de dezembro de 2011: o Corinthians, mais uma vez, entra para a história

Domingo, 04 de dezembro de 2011. O dia que uma torcida diferenciada pela sua raça, amor e determinação acordou com um sentimento de angústia contrastado com orgulho. Sentimento este que foi superado pela sede de levantar mais uma taça em nome da honra de um grande ídolo brasileiro, o artista da bola, Doutor Cidadania, Magrão, o Sócrates, Doutor Sócrates.

Morria um ídolo e nascia mais um padroeiro para 30 milhões de torcedores. Talvez não santo, mas digno de toda glória pela República Popular do Corinthians.

Quando se trata de bom senso, nenhum assunto é restringido a minorias, a uma única nação, mas a várias! Dia 04 de dezembro de 2011, são-paulinos, santistas, flamenguistas e tantas outras torcidas prestavam suas homenagens àquele que lutou em campo e fora dele. Àquele que suou com a camisa da seleção brasileira 63 vezes e fez bonito. Àquele que, 302 vezes pelo manto alvinegro, concebeu o maior movimento de futebolistas do Brasil: a Democracia Corintiana. Àquele que vai, mas deixa um legado ao futebol brasileiro. Admirável, magistral e incontestável.

Vai, Doutor Sócrates! Vá em paz!

04 de dezembro de 2011, o dia em que mais uma vez o Corinthians entrará para a história. Contestado! Invejado! Odiado! Mas o que se pode fazer quando o destino mais uma vez prova que o Corinthians é um diferencial do futebol? Que vai além de qualquer compreensão humana? Fanatismo? Talvez não. É amor mesmo, é paixão.  

O Corinthians vai levar o penta e vai ser hoje, porque o Sport Club Corinthians Paulista é dor, é sofrimento, é raça, é humildade e até permite o sofrimento da nação, desde que ele seja compensado com conquistas. Quer mais?

Hoje, com a mesma firmeza de sempre, o Corinthians hasteia sua bandeira e faz prevalecer suas cores! No dia de falecimento de um de seus maiores nomes, o Timão conquistará mais um título.  Por isso eu sou Corinthians, por isso eu sou louca, por isso eu me emociono e estou dentro das estatísticas. Em relação àquela história de Libertadores? Ok. Será um título bem-vindo no ano que vem, mas aprendam que UM título é pouco demais para subestimar o Corinthians, queridos torcedores alheios.  Podemos não ter Libertadores, mas tivemos Sócrates, como tantos outros motivos que nos abstém de preocupar com coisa pouca. Se para vocês um time sobrevive de títulos, me desculpe, mas então não somos apenas um time. E mais uma vez, isso vai além da compreensão de vocês...

Cerro meu punho, levanto o braço direito e grito “Sou Corinthians 101 anos e eternamente, sou pentacampeão”.    

Obrigada, Sócrates BRASILEIRO (e corintiano) Sampaio de Souza Vieira de Oliveira. Porque foi ouvindo e lendo sobre quão bom você foi, que meu amor pelo Coringão foi consolidado e cresce a cada dia. Esse título será por você!




Assim o dia terminou. Milhares estiveram lá para ter certeza de que o time do povo era o campeão daquele Brasileiro. 2011 foi pela centésima primeira vez consecutiva o ano do Corinthians.


Assim foi feita a vossa vontade...




... E eu vou contar isso aos meus netos.

E ainda se fala em direitos humanos...

Na última semana tive a oportunidade maravilhosa de conferir a peça teatral “O Caso dos Irmãos Naves”, a história de dois irmãos (Sebastião e Joaquim) que foram torturados brutalmente e condenados injustamente por um crime que não cometeram e que nem existiu, na cidade de Araguari, no Triângulo Mineiro. Vale lembrar que o caso ocorreu em 1937, época em que foi instaurado o regime ditatorial de Vargas. A condenação dos Naves foi considerada um dos maiores erros judiciais do Brasil. Uma história triste e verídica – o que a torna mais triste ainda.

Sabemos que os sistemas brasileiros Judiciário e Penitenciário são falhos e, em muitas vezes, a sociedade ensandecida por justiça dá seu próprio veredito, mas não entende a pressão e a complexidade da democracia nos processos. Relembre o caso da Escola Base. Agora considere o julgamento dos Nardoni, provas, sempre as provas, sem elas qualquer julgamento é arriscado. Mas não estou aqui para ficar do lado de ninguém e muito menos para discutir sobre o Judiciário, que deveria funcionar, mas quero focar nas forças de segurança que, geralmente, usam da violência para coibir o crime, justificando que a Justiça tarda e falha. E isso não é um ato criminoso?

Quem me conhece sabe o quanto me revolto com a polícia do Brasil. Se na época da ditadura vários irmãos naves foram torturados, humilhados e tiveram seus direitos e esperança massacrados, me questiono se ainda não vivemos num regime TOTALitário em pleno século XXI. Onde policiais são postos em cargos para amenizar a criminalidade no País e, ao contrário, motivam a injustiça, violência e instigam a corrupção ainda mais.

Policiais que deixam “passar batido” os direitos HUMANOS e tratam pessoas como animais, lixo e as únicas palavras de solidariedade são: “estrebucha, estrebucha”. Policiais que nos meus imaturos 18 anos entraram na frente do veículo em que eu estava para arrastar um andarilho pelo cabelo de dois a quatro quarteirões. Ah! Com os pés descalços e calcanhares no asfalto, sangue, bastante sangue. Policiais que espancam, matam, abusam do poder e acreditam estar fazendo justiça. A mesma polícia que tortura usuários e traficantes de drogas é aquela que recebe propina para “facilitar” a fiscalização do setor, a mesma que já vi USANDO e TRAFICANDO como qualquer outro meliante, independente de uma farda ou distintivo. Corruptos! Injustos! Tão criminosos como muitos criminosos!

Deixo claro: em momento algum defendo bandidos, mas sempre, defendo SERES HUMANOS. Acredito que você está questionando agora o que sempre me questionam: “quero ver se apontarem uma arma para a sua cara ou matarem algum familiar seu, se a posição será a mesma”, ou talvez “você fala isso porque nunca perdeu um filho para um FDP drogado e bandido”... Ok. Isso também é revoltante! Mas repito que não estou defendendo a corja de traficantes, estupradores e assassinos. Corro riscos todos os dias, como todo mundo! Eu só acho que a forma como a maioria das milícias, polícias civis e federais age - porque dos agentes que conheço nenhum me fez pensar o contrário – está completamente fora dos princípios básicos de humanidade e justiça.

Matar, maltratar NUNCA foi e JAMAIS será uma solução para o fim da criminalidade. Desde criança sei que violência gera violência. Se a Justiça não funciona e não mantém presos os criminosos, justificar sangue com sangue e fazer justiça com as próprias mãos não ameniza em nada o problema. Julgar e condenar são problemas do Judiciário, se um cara tem 50 passagens pela polícia e continua cometendo delitos, o problema também é do Judiciário. Se ele é cara de pau, zomba da Justiça, ganha milhões de acessos no YouTube, todo mundo ri e bate palma, o problema é da Justiça. Se a Justiça não cumpre com o seu dever, aí sim o problema é nosso! O que não quer dizer que sair matando vai acabar com todos os bandidos da face da Terra, porque não vai!

Há duas semanas em um bar, sentada na mesma mesa de um  PM (mesmo há meses sem a carteira oficial da profissão e, ainda sim, portando arma de fogo na cintura), ele disse: “Bandido tem que morrer! Já tenho três processos por homicídio e vou me livrar dos três”. Não! Bandido não tem que morrer. Bandido tem que ir para cadeia e cumprir toda a pena, isento de qualquer mordomia. Da mesma forma que matam inocentes, quantos e quantos policiais também já fizeram o mesmo? O que difere tais de criminosos propriamente ditos?

São questões que ficarei maquinando a vida inteira. Sou defensora da vida e da justiça e serei contra qualquer atitude que faça cair por terra esses valores. Defendo a paz, repudio a tortura e o excesso da força policial. Num momento em que tanto se discute sobre os direitos humanos é irônico ver que as próprias instituições que fiscalizam o cumprimento da Lei, explicitamente, assumem uma postura contraditória aos seus deveres.

Que Deus nos abençoe e tenha compaixão da humanidade! Amém.




pensador.info


Um país insular à mercê do caos

Foi no dia 11 de março de 2011 que o país, cuja expectativa de vida é a maior do mundo, sentiu o sétimo pior tremor de terra registrado na história mundial. Não seria tão trágico se não fossem 8,9 graus apontados na escala Richter, consignando o pior terremoto de todos os tempos no país asiático.

Um abalo sísmico que não parou por aí. Seguido do grande tremor, uma onda de mais de 10 metros “varreu” toda a costa nordeste do território ceifando mais de 10 mil vidas e desabrigando outras 500 mil, agora, as notícias giram em torno de uma possível crise nuclear, talvez a mais grave depois do desastre de Chernobyl, há três décadas.

Ok. Desses dados todo o mundo está cansado de ouvir, ler e estudar nos livros escolares do ensino fundamental, mas chamo a atenção para um ponto crucial: como uma nação passa por tudo isso e continua levando uma vida, aparentemente, normal?

Será que só eu reparei que os japoneses, mesmo em meio à tamanha devastação, reconstroem suas vidas de forma praticamente tranquila? Assustados, mas não desesperados. Famintos e sedentos, mas não desorganizados. Me pergunto a todo momento: Que tipo de população, em situação semelhante à asiática, consegue entrar em uma fila para adquirir um copo d’água e uma porção pequena de arroz de forma comportada e sem provocar nenhum transtorno?! Ou que tipo de população vê seus filhos sendo deixados para trás por causa de uma possível contaminação radioativa e consegue disfarçar a aflição?! 

Sei lá se são questionamentos um tanto quanto lúdicos da minha parte ou se minha indignação se deve ao fato de ter crescido em uma cultura completamente calorosa, para não dizer egoísta. Imagine se uma catástrofe de tamanha proporção acontecesse no Brasil? Melhor, valorizemos o bom senso e não ousemos a pensar. Muitos até poderiam me responder que, para uma grande potência econômica como o Japão, tudo flui mais fácil, é natural... Mas creio que a situação é mais cultural e educacional do que econômica.

Até aí tudo bem, mas nos seus altos e baixos, não dá para negar que os japoneses passam por um momento delicado de reestruturação, não digo em questão de recursos, pois é meio óbvio que isso não é empecilho algum ao Japão que se recuperou recentemente de uma crise econômica, ou é?  Levo mais em consideração a questão de trabalhar o psicológico e a esperança de conviver na incerteza do próximo passo e de quando será o próximo fenômeno natural, propriamente dito, a ser alertado pela Defesa Civil.

Seja por questão cultural, política, religiosa, econômica ou de posição geográfica, a verdade é que a “Terra do Sol Nascente”, pós-tsunami, está fragilizada e à mercê de um caos que só tende a se alastrar pelos próximos anos. Vai se recuperar, como sempre o fez, mas não para por aí até se estagnar. Pobre povo! Pobre Planeta! E sempre ela... A esperança. 

Imagens: Ilustração/ Internet

Manifesto da liberdade

Estamos acompanhando uma onda de manifestações no mundo inteiro, onde os mais variados povos reivindicam governos mais liberais, transparentes, com participação direta da sociedade ou apenas... Um governo. Talvez para muitos de nós, que estamos do lado de cá do mapa, não seja muito interessante tomar conhecimento do que tem acontecido, mas isso se dá, principalmente, pelo fato de já pertencermos a um Estado laico, por vivermos num país livre e democrático. Um sistema falho, mas DEMOCRÁTICO! Porém, devemos levar em consideração que só somos o que se somos e vivemos da forma que vivemos, por conta dos nossos antecessores, da nossa história, por lá atrás um grupo significativo de pessoas ter sentido a necessidade de engajar a sociedade em assuntos relacionados à administração de um país. Ou alguém se esqueceu do Golpe Militar de 64?
Logo, ao contrário do que tenho ouvido por aí (“e eu com isso?”, “o Brasil já tem um parlamento caótico demais para me preocupar com outros países”), o mínimo que devemos fazer é parabenizar, sim, as iniciativas de protestos.
As manifestações se tornaram capas dos veículos de comunicação mundiais após o clamor de uma parte considerável do Norte da África pela liberdade: o Egito!
Por pouco mais de duas semanas, protestos mostravam a insatisfação da sociedade egípcia com um sistema ditatorial que permeou por três décadas. TRÊS DÉCADAS! E isso foi lindo!
Claro que desconsidero as ações de protestos equivocadas como se jogar em frente de carros, ou colocar fogo no próprio corpo, mas enfatizo sobre o objetivo unânime de lutar por um único interesse. Às vezes, a ansiedade pela liberdade faz com que os seres humanos percam a racionalidade, fazendo do ilógico uma válvula de escape. Ainda sim, não dá para recriminar essa gente.
Infelizmente, várias outras vidas foram comprometidas com a tentativa frustrada de 18 dias de bastante repressão, mas os egípcios conseguiram! Derrubaram o governo de Hosni Mubarak, voltaram a ter esperança e despertaram o mesmo sentimento em várias outras civilizações que, ainda, continuam a se expressar publicamente em prol de mudanças na política nacional.  
Quem vai contestar que manifestar, protestar, reivindicar são atitudes erradas? É mais do que visível [e os acervos históricos comprovam] que é “sob pressão” que as coisas funcionam! E se esse é custo da liberdade, OK. 2012, aí vamos nós!!!


(Segunda publicação da coluna "Coisas para pensar..." do impresso Correio do Sudeste - GO)

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"Nunca satisfarei a todos e eu nem quero! Os célebres pensadores sempre foram criticados e nem por isso deixaram de contribuir para a inteligência e conhecimento humanos." (Carol Aleixo)